A Copinha cobrou a conta do caos no Corinthians

O Sport Club Corinthians Paulista encerrou a Copinha Sicredi 2026 com a pior campanha na competição desde 2013. O desempenho decepcionante não foi um acaso, mas o reflexo direto de um ano de 2025 caótico, que comprometeu o planejamento do clube e teve impacto direto no trabalho desenvolvido nas categorias de base.
Desde a derrota alvinegra para o São Paulo na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o Parque São Jorge passou a ser palco de sucessivas polêmicas. O ambiente interno tornou-se instável, afetando o dia a dia de atletas e profissionais e aumentando a pressão sobre nomes contratados pela gestão do então presidente Augusto Melo.
Antes mesmo do impeachment do ex-mandatário, a base do Corinthians sofreu uma série de mudanças estruturais: Claudinei Alves deixou o cargo de diretor das categorias de base, Dinei saiu da função de observador técnico, o Sub-18 foi transformado em Sub-20 B, e Batata e Chicão acabaram demitidos das funções de coordenadores técnico e de transição. Um cenário de instabilidade que inviabilizou qualquer continuidade de trabalho.
Em campo, o técnico Orlando Ribeiro — finalista da Copinha de 2025 com o Corinthians — não conseguiu repetir o bom desempenho após o término da competição. No Campeonato Brasileiro Sub-20, a equipe somou apenas 20 pontos em 19 rodadas, números que evidenciam a queda de rendimento ao longo da temporada.
O ano também foi marcado pela saída precoce de Kauê Furquim para o Bahia. O clube baiano pagou a multa rescisória de R$ 14 milhões pelo atleta de apenas 16 anos, negociação que gerou acusações de aliciamento por parte do Corinthians e expôs fragilidades na gestão de ativos da base.
Já sob a gestão de Nenê do Posto, uma das decisões mais sensíveis foi o encerramento do alojamento da base no CT, sob a justificativa de redução de custos. A medida, somada a mais uma troca no comando da diretoria executiva, aprofundou o cenário de incerteza dentro do departamento.
Em meio a esse contexto conturbado, William Batista assumiu o Sub-20 e teve apenas cinco jogos oficiais antes de sua estreia na Copinha, tempo claramente insuficiente para implementar ideias ou avaliar o elenco de forma adequada.
Entre os convocados para a competição, jovens como Iago Machado, Gui Amorim, Lucca Caramico e Gustavo Milani — que ainda atuavam pelo Sub-17 — praticamente não tiveram tempo para serem testados pelo treinador na categoria principal da base.
Em campo, Iago Machado acabou sendo o grande destaque do Corinthians na Copinha. Ainda assim, o treinador não conseguiu potencializar outros atletas como Gui Amorim, da mesma forma que Raphael Laruccia havia feito na temporada anterior, reflexo direto da falta de continuidade e de planejamento.
No fim das contas, mesmo em meio ao caos, o Corinthians conseguiu revelar atletas que foram fundamentais para a conquista do tetracampeonato da Copa do Brasil. Mas a Copinha cobrou seu preço. E cobrou caro. Porque, no futebol de base, improviso não se esconde — ele aparece, inevitavelmente, no primeiro mata-mata.
